O Caminho
O caminho que conseguimos antever é o de criar formas de as pessoas se consciencializarem para o que está em questão e por essa via virem a emergir grupos, formais ou informais, que se debrucem sobre o assunto e formulem opiniões e propostas relativas ao funcionamento da sociedade (em geral ou parcelares).
Na era do ciber-espaço em que estamos, constata-se que não só este não escapou ao fenómeno da poluição (em várias vertentes, incluindo a proliferação da idiotice, por um lado, e da propaganda, por outro) como não correspondeu às expectativas de que conduziria à melhoria significativa dos processos de gestão das sociedades do ponto de vista da realização pessoal e social dos cidadãos, assim como do aprofundamento da intercomunicação entre as pessoas do ponto de vista da profundidade das relações.
Consideramos, por isso, que o contacto pessoal directo continua a ser fundamental para um saudável relacionamento humano, incluindo para o exercício de uma cidadania empenhada, que será sempre menos conseguida se não for coordenada entre pessoas que se conheçam e estejam imbuídas do mesmo espírito de empenho.
Em termos mais concretos, é possível:
- para algumas pessoas, usar os média na forma de artigos de opinião, entrevistas, cartas abertas, etc.
- elaborar e publicar manifestos ou tomadas de posição semelhantes
- organizar tertúlias que levem à sensibilização dos participantes para determinados assuntos
- organizar sessões de discussão um pouco mais alargadas e por isso com mais alcance
- contactar os políticos de diversas formas, incluindo por via electrónica, como acção individual ou como acção colectiva coordenada
- usar as modalidades previstas na Constituição para requerer acção política, nomeadamente a petição a entidades públicas
- formar associações que se dediquem a causas de interesse comum aos associados no âmbito da cidadania, incluindo causas políticas
- formar movimentos políticos, formais ou informais (se formais ficam próximos dos partidos políticos, embora em conceito sejam substancialmente diferentes)
- formar partidos políticos (não é uma trivialidade, mas também não é uma coisa extraordinária – temos mais de 20 no país, alguns recentes e com sucesso assinalável)
A escolha do tipo ou tipos de acção a tomar tem de levar em consideração alguns factores, entre os quais o tipo de objectivo a alcançar, o prazo em que se pretende ou deseja seja alcançado, a capacidade de acesso aos meios que possam ser usados, o nível de disponibilidade e empenho das pessoas envolvidas, etc.
É sempre mais fácil levar a cabo acções de execução simples, pelo que, como regra geral, será mais sensato começar por pensar em acções do tipo tertúlia ou divulgação pública de opinião do que pensar em começar logo por constituir uma associação, por exemplo.
Mas para qualquer acção há sempre uma condição de base: é sempre necessário haver vontade de agir, verdadeira vontade de agir.
E para que surta efeito há uma segunda condição: é necessário haver capacidade de quem age para vislumbrar a forma como a acção poderá surtir efeito e para perceber como a conduzir para que surta o efeito pretendido.
