A solução
Para começar, pensar. Pensar sobre o assunto. E entender que se o problema for realmente e essencialmente cultural, como propomos, é necessário mudar a cultura. Impossível?
A cultura, como tudo o que é humano, está sempre em mudança, sempre em evolução. Se há coisa que não se pode dizer é que a cultura não muda. Muda e muito!
Não será muitas vezes é nos sentidos que se possam considerar desejáveis. E não é, seguramente, de modo uniforme em todos os seus aspectos. Há aspectos em que, efectivamente, a cultura se vai mantendo em formas antigas bem enraizadas, quando o que está na sua base tem motivações fortes e profundas. Mas também essas podem mudar.
Na nossa cultura, os sentimentos de impotência perante os detentores de poder e a opção pela submissão e acomodação como forma de sobrevivência têm raízes longínquas, pelo que tendem a perdurar – e é isso mesmo que os torna parte da cultura.
Mas vivemos hoje em tempos que têm muito pouco a ver com aqueles em que os sentimentos de impotência reflectiam efectivamente a então realidade da impotência perante os poderes.
Hoje, já só somos impotentes porque não nos empenhamos em fazer valer a força que temos. Hoje temos potencialmente muita capacidade de confrontar os poderes, unindo esforços e fazendo uso dos direitos que conquistámos (ou que outros conquistaram para si próprios e para os seus sucessores).
E devemos notar que os direitos que hoje temos são, eles próprios, uma evolução cultural. Não de origem nossa, é sabido, mas que absorvemos de outros, num processo de expansão e evolução cultural mais geral.
